sexta-feira, 19 de junho de 2009

O Mercador de Perfumes

Não vejo como é possível que ele não conheça o valor do seu trabalho. Sua aparição me é estranha, assim como o seu turbante encardido: aparecia-me durante minha extensa caminhada. Era um mercador de perfumes.

Foram apenas dois dracmas dourados, quase que um óbulo infantil pela minha viagem. O frasco era pequeno. Ele nada disse sobre tal perfume.

Perguntei-lhe onde haveria outra terra em que pudesse repousar, ou um oásis com água e raízes profundas na terra. Ele nada me disse sobre tal lugar.

Apenas apontou, creio que aleatoriamente, para um lugar que certamente morria no palco de mármore que era o horizonte.

Perguntei-lhe se as muralhas de vidro que erigi sobre meu coração poderiam ser quebradas; se tal fragrância era composta com apenas as essências mais benevolentes dos mortos.

A esta pergunta, disse-me: "Derrama teu perfume e deixe que a areia o beba. Trata-se do perfume que os deuses mandaram-me vender para ti. Não há terra que convém te abraçar enquanto o perfume não tiver sido derramado, gota por gota, sobre o solo."

Eu poderia ter derramado todo o frasco de uma só vez, mas tal homem sabia que eu seria prudente. Uma gota, para cada estrela que descubro como nova.

É certamente impossível que tal homem não reconheça o valor de sua mercadoria.

Nenhum comentário:

Postar um comentário